João morava num lugar satisfatório e não tinha uma situação financeira boa. Era casado e tinha dois filhos, crianças demais para entender as dificuldades pelas quais os pais passavam. Nos dias de extremo caos, em que mais nada da sua vida tinha sentido, João saía para beber no bar mais decadente do seu bairro, onde pelo menos a cachaça era barata. Ele ia para lá, bebia umas doses, e depois voltava para sua casa armado de álcool, na ilusão de que assim seus problemas desaparecessem.
Em um certo dia, quando mais nada tinha jeito, foi mais uma vez afogar seus problemas numa garrafa de pinga. Em sua volta à casa, até mais cedo do que de costume, deparou-se com o que menos temia: sua esposa aos beijos com o seu melhor amigo, prestes a se despirem.E foi aí que João entrou em desespero. Retirou do armário uma pistola e atirou nos dois traidores. Ele já não sabia mais o que fazer. Voltou para o bar, e fez de sua vida uma completa ironia. Subiu na mesa, começou a dançar e a cantar.O dono do bar não gostou de suas estripulias e o expulsou de lá.
Ele não tinha mais nada. Perdeu esposa, filhos, melhor amigo, e até a sua companhia de tristezas.Logo em frente ao bar, havia uma lagoa. Atirou-se nela, desfazendo sua embriaguez. Quando se tocou de tal ato, viu que já era tarde. João morreu, sem ninguém.
By: Aurora.
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Temo morrer como João.
Falo nada. ;x
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